01 de abril de 2008
Comentário sobre a MMA

Quem acompanha o mercado provavelmente ficou sabendo que na semana passada houve o evento de lançamento da MMA LATAM no Brasil. A Mobilepedia fez um breve post a respeito. Para quem não acompanha, a MMA é a associação de marketing móvel em nível internacional. MMA LATAM é seu capítulo América Latina, que terá sede em São Paulo. O propósito da associação – no estatuto – é a promoção do crescimento do mercado de mobilidade. Na prática a MMA atua por meio do estabelecimento de regras, melhores práticas, comitês de estudo, fóruns e eventos para intercâmbio de idéias.
A presença da MMA no Brasil é um evento relevante. Reflete diretamente os esforços das empresas em construir um ecossistema viável de marketing móvel. Eu espero que seja absorvido da maneira como deve: a presença da MMA não significa mais negócios e menos obstáculos de um dia para o outro.
O crescimento econômico somente é viável em um ambiente de regras claras – e aplicadas de modo equânime; de intercâmbio transparente de informações e do acesso livre a estas; e onde haja garantia de regularidade na oferta dos produtos e serviços. O que é verdade no ambiente macro vale para o ambiente micro. Somente veremos crescimento consistente do mobile marketing no momento em que encontrarmos todos estes fatores atuando em conjunto. No momento, o esforço é descoordenado, o que gera incerteza prejudicial ao empreendedorismo e insegurança na ponta da demanda.
O conjunto de práticas da MMA, portanto, atua no sentido de tornar possível um ambiente onde o mercado se desenvolve de modo consistente – ultrapassando a situação de ser resultado de sucessos empresariais pontuais.
A minha preocupação é se entendemos todos o papel da associação da mesma forma. Há uma tendência – cultural – ao messianismo. Ao herói. Esperamos sempre que apareça alguma entidade superior que resolverá nossos problemas. Os exemplos no cotidiano são muitos – da política ao futebol.
Mas não podemos resolver nossos problemas top-down. Ainda mais se consideramos que a MMA é uma instituição internacional, com sede nos EUA – alheia ainda às nossas necessidades locais. Por isto, me preocupa que, no evento, não tenha sido dada a devida atenção ao principal mecanismo da associação: os comitês de estudo. Destes comitês saem as proposições de melhores práticas, de regras, os estudos que irão orientar o mercado localmente. Há comitês que discutem, por exemplo, a inserção das mulheres no mercado de mobilidade – cujo domínio é essencialmente masculino; ou como as culturas urbanas se relacionam com o celular.
O tamanho de nosso mercado e seus desafios garantem a existência de diversos comitês – da definição de regras para campanhas de SMS às questões de inclusão digital (alguém se lembra?). Mas como foi ressaltado no evento – é necessária a participação e o comprometimento das pessoas e empresas que irão compor a MMA.
Ou assumimos o desafio de criarmos nós mesmos as condições, ou a MMA no país não será mais que mecanismo de propaganda para alguns, por algum tempo.
Tecnologias: Nenhuma tecnologia cadastrada.
Empresas participantes: F.biz.




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oi Terence, tudo jóia... To na Buongiorno, trabalhando com projetos de interatividade, porém continuo abraçando a "causa" do Mobile Marketing rs :) estou sem seu contato, me manda um email: daniela.porto@gmail.com um abraço!
Oi Dani, tudo bem? Onde está agora? :-) uma vantagem de estarmos em uma associação é que podemos contar com um esforço mais efetivo pela regulamentação e outros pontos que não fazem parte das nossas atividades centrais - enquanto nos preocupamos exatamente com o que se passa com o consumidor... e é isso aí, todo mundo se associando e apoiando!
Mas concordo com o Terence.. melhor se associar e apoiar o movimento que tem MUITAS empresas associadas. Senao pode custar mais caro depois :) Cheers !
difícil opiniar, estive lá no "Fórum Principal" em Los Angeles no final do ano passado, com mais de 500 participantes de diveros lugares...e cantos do país... o movimento é mais para o ah, vamos tentar "regulamentar" e criar debates nesta indústria, tornando-se uma entidade $$, do que realmente entender o que se passa com o consumidor final e usuário.
Oi Léo, O debate aberto é ótimo. E concordo com você. Deixa eu colocar alguns pontos que não abordei aqui, e que em algum ponto endereçam seu comentário. Eu recebi um email que perguntava o seguinte: o que você acha de ser MMA América Latina e não Brasil? Uma resposta rápida diria: "bem que podia ser somente Brasil". Mas estaria errada. Toda instituição precisa de um mecanismo de "checks and balances" - contrapesos que evitam a concentração de poder. Uma MMA que abrange o continente nos força a ampliar nossos horizontes e sair de nosso feudo. Cria um contrapeso cujo equilíbrio exige diálogo: a existência de empresas de outros países, com seus interesses específicos. Qualquer empresa/pessoa que queira participar de forma relevante vai ter que considerar a existência de interesses e posturas que podem ser opostas à sua realidade. E isto é, por si, um filtro poderoso contra os oportunistas e os que se interessam apenas por posições de poder ou presença na mídia. E, melhor, reduz o poder das "panelas". Por definição, onde há uma oportunidade, há o oportunista. Então, temos que fazer como o grande filósofo Chapolin: "sigam-me os bons!". Como jamais deixarão de existir os picaretas, pelo menos estaremos em barcos diferentes. A minha expectativa é de que, no fim, as pessoas que irão compor a entidade tenham pelo mercado móvel a mesma paixão e dedicação que muitos de nós apresentam diariamente. Pelo que conversei com membros da MMA presentes no evento, quem quiser participar realmente (nos comitês, no board), tem que se dedicar - pois há metas de produção (estudos, regras, guias, pesquisas, etc.). Acredito que tal procedimento seja bom para filtrar os que querem contribuir dos que querem os holofotes. E como há regras e práticas que devem ser seguidas pelos membros, acredito também que tal pode ajudar a manter à parte as empresas que não estejam muito interessadas em trabalhar corretamente. Vamos ver no que vai dar. Espero que se associe - questão de termos massa crítica de qualidade. :-) Abraços!
Oi Terence. Importante sempre notar que uma entidade é no final do dia composta por pessoas. Normalmente, pessoas do mercado e, nesse caso, de empresas concorrentes. Temo por uma "AMMBzação" da MMA ao acomodar na mesma banda todos os tipos de empresas e pessoas, nem todas necessariamente ligadas ao mercado de mobile marketing de fato. Você, tenho certeza, terá um papel fundametal na MMA, haja vista a absoluta confiança que Laura tem em ti. Agregar operadoras, veículos e agências, com representatividade, sera crucial para a consistência da MMA no Brasil. Preferi um comentário aberto a um papo ao pé do ouvido para que todos conheçam a minha opinião. Na MMA tem de agregar os bons, os que querem o crescimento do mercado. Não os oportunistas. Não os que não são do mobile marketing. Não os picaretas. Por fim, caso alguém ainda tenha alguma dúvida, respondo: não estou associado a MMA. Ainda. Abs! Léo