12 de março de 2008
Contribuindo para "Confusão Predicta"
Com relação à confusão que se criou com a divulgação dos dados da Predicta, acho que o problema, no fim, é semântico. Precisamos de uma primeira distinção, técnica: WEB, WAP, INTERNET. A elaboração que farei é resumida, então pode pecar em alguns pontos, mas atende a nossos propósitos.
Internet é a rede. Uma coleção de redes, na verdade, que se comunicam por meio do protocolo IP.
WEB é parte desta rede. Um “subset”, foi o que popularizou a internet pelo seu uso de uma interface gráfica amigável interpretada pelos browsers. Estes browsers interpretam documentos HTML entregues por servidores HTTP.
WAP: agora substitua, no que falei sobre a WEB: HTML por WML; HTTP por WAP, web browser por WAP browser. WAP é um padrão desenvolvido para permitir o acesso à internet por dispositivos móveis. Para que isto aconteça é necessária a existência de um gateway WAP – que é o intermediário entre a rede móvel e a internet, fazendo a necessária tradução para a transmissão das informações do WAP browser para um servidor WEB.
Agora, é o seguinte. WAP como descrito acima, não existe mais. Vamos chamar a este de WAP 1.0. Pois temos agora o WAP 2.0.
E o que é isto? Algum WML mais avançado, WAP browsers com mais recursos? WAP 2.0 é uma reelaboração da linguagem, onde o desenvolvimento é realizado em XHTML-MP (Mobile Profile), que é parte do XHTML. E a comunicação é feita inteiramente por HTTP. Isto permite, portanto, que o acesso seja feito por browsers web – e todos os grandes fabricantes desenvolveram o seu (a Nokia usa o excelente Webkit, por exemplo. Cujos – surpresa! – componentes WebCore e JavascriptCore são utilizados no Safari – browser da Apple, aplicado no iPhone também).
Enfim, com o WAP 2.0 vieram os browsers web e com isto passou a ser possível acessar à WEB no celular. Só que qual é a diferença prática entre uma e outra? Apenas as restrições do meio – a mobilidade, os recursos computacionais (os browsers ainda não aceitam java, flash – não o flash lite, javascript é limitado, a memória RAM ainda precisa melhorar para segurar um browser), a tela.
O nome de WAP para sites móveis confunde mais do que ajuda a separar os mundos. Idealmente o site para o celular deveria ser planejado tendo em mente os objetivos do usuário e desenvolvido em XHTML-MP.
Sobre os dados da Predicta, o que temos são dados relativos ao acesso à WEB PC por meio de browsers web de celulares. A Predicta não tem como medir o acesso a sites desenvolvidos em WML – padrão que, de todo modo, já não deveria mais ser utilizado. O próprio WAP Forum (agora Openn Mobile Alliance) desenvolveu e recomenda a utilização de XHTML-MP. Trabalhando em conjunto com a W3C estão buscando a convergência deste com o padrão XHTML-Basic, o que irá, com o tempo, permitir a existência de apenas uma WEB, acessível a partir de qualquer dispositivo. A Predicta também não registra estes acessos a sites móveis não WAP.
Então, ficamos assim. Existe um mundo a ser desenvolvido com atenção e cuidado, que é a web móvel. Há ainda muito poucos sites de qualidade e desenvolvidos dentro do padrão correto, capazes de gerar uma boa experiência tanto para o usuário do N95 quanto para o V3. E com certeza não é a possibilidade de acessar aos sites na web que irá gerar esta experiência positiva. Pelo contrário.
A mobilidade gera necessidades e interesses diferentes. Um site móvel não é um site em miniatura, mas um site planejado de forma a atender esta demanda do contexto móvel. O interesse pelo acesso à internet no celular está aí. Eu sempre afirmei – quando questionado sobre o volume de acessos a sites móveis – que o problema estava na falta de motivos para tanto. Eu ainda preciso conhecer um site móvel realmente bom, local. Quem concentrar recursos pode encontrar bons resultados. O Weather Channel, nos EUA, já possui mais acessos a seu site móvel do que ao site tradicional. Há uma série de critérios que devem ser observados no planejamento – da existência de recursos de conectividade à atualização regular do conteúdo, passando pela personalização da experiência. Não é porque é pequeno que o trabalho é menor.
Tecnologias: Internet Móvel.
Empresas participantes: Nenhuma empresa participante.




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