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27 de maio de 2009

“Interajo, logo existo” – Bebê de 1 ano e 10 meses navega no iPhone

por Marcelo Castelo

“Papai, Barney!!”, é assim que a minha filha fala todos os dias à noite, após ligar, sozinha, a TV e sentar na poltrona dela.

Qual é um dos principais motivos para a televisão ser um sucesso? Em minha opinião, uma das razões é a grande facilidade de uso: basta ligar e pronto. Depois disso, basta trocar de canal, aumentar ou diminuir o volume. Qualquer novo detalhe que surge já gera dificuldades e problemas.

A TV a cabo, por exemplo, já complicou a vida de algumas pessoas por fazer com que o usuário use dois controles ou tenha de sintonizar a TV no “canal” de vídeo. Tudo isso causa impacto. Na casa da minha avó, por exemplo, a TV começou a “quebrar” depois que ela instalou a um serviço de TV a cabo. Bastava apertar um botão errado e pronto, problemas à vista! A imagem não aparecia e era necessário chamar, mais uma vez, o técnico para “consertar” o aparelho.

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Tecnologias: Aplicativo Mobile, Internet Móvel.

Empresas participantes: Nenhuma empresa participante.

07 de abril de 2009

Mobile marketing: SMS (pincode) x carta (selo)?

por Marcelo Castelo

Antes de iniciarmos este assunto, responda às seguintes perguntas: qual foi a última vez que você foi ao Correio? Qual foi a última vez que você enviou um SMS? Provavelmente, a sua resposta deve ter sido “não sei” para a primeira pergunta (ou no meu caso, “pelo menos há uns 20 anos”) e “há alguns dias atrás” para a segunda (ou no meu caso que, só hoje, enviei uns três torpedos).

Segundo o Nielsen, 60% da população brasileira já enviou um SMS na vida. Considerando que existem hoje no Brasil, conservadoramente, cerca de 120 milhões de pessoas com celular (a Anatel fala em 150 milhões de linhas ativas, mas existem pessoas que possuem dois chips ou chips inativos), praticamente todo mundo que possui um celular já enviou um SMS na vida.

Será que 60% da população já enviou alguma carta? Fiz uma enquete aqui no escritório, entre funcionários com menos de 22 anos, e descobri que nem metade destes jovens havia, sequer, pisado em uma agência dos Correios na vida. Um detalhe, 100% deles enviaram ao menos um SMS nos últimos sete dias.

Todo esse questionamento leva à outra pergunta: Por que será que ainda existem empresas que realizam promoções por cartas (junte embalagens e envie para uma caixa postal)?

Fazendo uma rápida análise, este tipo de promoção, utilizando cartas, possui alguns inconvenientes para o consumidor, como a necessidade de guardar as embalagens, procurar uma agência dos Correios e pagar mais de R$ 0,60 por selo. No caso da empresa, a necessidade de um estoque para as cartas ou mesmo o trabalho de logística para recolhimento das urnas espalhadas nos pontos-de-venda. Resultado: custo operacional, além do risco de extravio.

Para resolver estes “problemas” existe uma solução muito simples e já testada por várias empresas de diversas categorias como Gillette, Mellitta, Bauducco, Azeite Maria, entre outros. A empresa imprime um código único na embalagem e o usuário, ao comprar o produto, envia um SMS com o código para um número estabelecido pela companhia.

Para o usuário, é bem mais conveniente (já que o aparelho de celular está ao alcance de suas mãos) e barato (um SMS custa, com impostos, cerca de R$ 0,40, bem menos do que o valor de R$ 0,60 do selo, além do gasto com o transporte para chegar até uma agência dos Correios).

No caso da empresa, as ações com SMS também são mais vantajosas, pois não há custo da caixa postal, urnas e armazenagem dos cupons. Além de ser mais fácil gerenciar o processo já que o gerente está a um clique do mouse para ver online os resultados da campanha.

E se alguém falar que não há como imprimir um código único na embalagem porque não será possível modificar a linha de produção, já existem soluções para isso. Basta ver a promoção da Nestlé e do Extra, nas quais o código único é impresso no cupom fiscal.

Com o SMS, da mesma forma que não há exclusão das classes C e D, também há inclusão da classe A, pois este público não tem o hábito de postar cartas promocionais nos correios. A maior prova de sucesso do SMS são as dezenas de promoções neste formato que estão circulando pelo mercado, com resultados recordes. Algumas empresas apontam que os resultados são oito vezes superiores às promoções anteriores que utilizavam o envio de cartas..

Portanto, a utilização de SMS em promoções semelhantes gera um resultado maior com um investimento menor. Algumas empresas já estão atentas para este cenário, mas, infelizmente, muitas outras ainda não estão. E sempre que vejo uma promoção dessas, via carta, questionamentos como estes voltam a me tirar o sono.

PS: Este artigo também saiu ontem na edição impressa do PropMark.

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Tecnologias: SMS.

Empresas participantes: Nenhuma empresa participante.

22 de janeiro de 2009

Internet Móvel: A.I. e D.I. (antes e depois do iPhone)

por Marcelo Castelo

Marcelo-Castelo

Não tem jeito, qualquer pessoa que usa o iPhone pela primeira vez fica encantada com o aparelho e suas funcionalidades – GPS, Touch Screen, navegação Web, App Store, Acelerômetro. Vale fazer uma pausa aqui. As primeiras pessoas que usaram este aparelho são formadoras de opinião, das altas classes sociais e com posição de destaque no mercado de trabalho, o que muda tudo quando o assunto é investimentos em marketing.

Aqui está o “pulo do gato” para uma revolução que só está começando. Quando os profissionais do mercado publicitário – entende-se anunciantes, agências, veículos, incluindo do presidente ao estagiário – começam a usar o iPhone como o seu celular do dia-a-dia, todos “sentem na pele” o potencial absurdo de interatividade e branding que o aparelho permite.

Neste momento, recordo o meu início na área de Web (pré-bolha), quando queríamos fazer websites e, em várias reuniões, recebíamos sonoros “nãos” de diretores de marketing, que falavam que não era importante ter um site Web para a marca deles, pois ninguém iria acessar (a grande verdade é que eles não acessavam a Web e, portanto, não viam muita importância nela). Sabemos que a realidade hoje é bem diferente: não conheço nenhum anunciante que não tenha um website e não acredite no crescimento deste meio.

Mas, voltando ao iPhone, tão importante quanto o aparelho é a conexão. Aqui vale destacar o lançamento em massa das redes 3G das operadoras em 2008. Esse público classe A está acostumado a navegar em banda larga nas suas casas e escritórios e, portanto, não aguenta mais navegar na “Internet discada”. Junto com a velocidade, existem os pacotes de dados, no qual o usuário paga um valor fixo e navega à vontade (nota: se você não tem um pacote de dados, não use o iPhone, a chance de você ter que vender a geladeira para pagar a conta de telefone no final do mês é grande).

Velocidade (além do 3G, não podemos esquecer da conexão WiFi), ótima experiência de navegação e mobilidade formam um tripé imbatível. Tanto que hábitos estão sendo mudados. Eu, por exemplo, quando estou em casa e preciso acessar a Internet, utilizo o iPhone em 90% dos casos. Vários outros conhecidos fazem o mesmo. É muito mais fácil do que ir até o escritório, ligar o computador, abrir o browser etc. Dá até para ficar brincando na Internet, assistindo à TV, sem ter que ficar queimando as pernas com aquele notebook pesado em cima de você.

O que falta, então, para este produto se massificar? A resposta, com certeza, é o preço, pois não podemos esquecer que moramos num País do Terceiro Mundo, ops… emergente. Atualmente, os especialistas falam em cerca de 500 mil iPhones no Brasil. Logo, logo, serão 1 milhão. Já existem, hoje, outros aparelhos similares de marcas como Samsung, G1, BlackBerry e Nokia que formam esta nova categoria, fora todos os futuros lançamentos, que tornarão a base ainda maior. E aí surge o ganho de escala, que permite uma queda drástica do preço. Veja por exemplo que, pouco tempo atrás, uma TV de LCD de 40 polegadas era quase o preço de um carro 1.0!

Mesmo com “preços altos”, começam a surgir curiosidades. Recentemente, vi uma pesquisa na qual um jovem pertencente à classe C/D e que não possui computador próprio havia comprado um iPhone de segunda mão (já tem gente vendendo iPhone usado por menos de R$ 500,00). Questionado sobre o motivo da escolha do iPhone, a resposta foi a seguinte: “Pra que comprar um computador?… O meu iPhone é um celular (inclusive, já fiquei com algumas meninas por causa dele), um MP3 Player e um computador com acesso à Internet grátis. É só usar o WiFi ao lado de cafés com redes abertas!”

Não tenho dúvida que, no médio prazo, a “categoria iPhone” será uma categoria massificada, levando a reboque a explosão da Internet Móvel. No Reino Unido, por exemplo, o número de acessos à Internet por meio de dispositivos móveis cresceu 25% no terceiro trimestre de 2008 em relação ao mesmo período do ano anterior. Outro estudo, realizado pelo Pew Internet & American Life Project, aponta que o celular será o principal meio de acesso à Internet em 2020.

Daqui a pouco, não ter um site móvel será o mesmo que não ter um “site tradicional”. Ou você acha que um site feito para uma tela de 15 polegadas vai ficar 100% legal numa tela de 3″? Os portais de conteúdo estão se mexendo: lançaram suas versões para iPhone e já estão vendendo espaço publicitário. Para os anunciantes é muito interessante, pois, para quem ainda não sabe, as taxas de clique em banner no celular gira em torno de 5%, uma enormidade perto dos 0,1% médio do banner na Web. Em uma tela pequena, o banner é muito mais visível, já que percentualmente ocupa um espaço maior que na Web!

Este é o cenário! As empresas que não estão preparadas já estão atrasadas e causam insatisfações em seus clientes. Infelizmente, ainda não consigo entrar no site do meu banco, porque o teclado virtual não funciona no iPhone. Enquanto eles não desenvolvem a solução, minha única saída é reclamar com o SAC, mas talvez o banco só vá se mexer quando o presidente tentar entrar no seu próprio site, pelo iPhone que ele ainda vai usar, e não conseguir.

Tecnologias: Internet Móvel.

Empresas participantes: Nenhuma empresa participante.

30 de julho de 2008

SMS marketing – Como não queimar o canal?

por Marcelo Castelo

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Quando vejo pesquisas falando que 94% dos SMSs recebidos são lidos, vejo um potencial enorme neste canal para fazer propaganda, entretanto, quando vejo notícias como a da Dase (formação de base opt-in e revenda de mensagens para anunciantes), fico extremamente preocupado.

Estou vendo o mercado acontecer, assim como vi nascer o e-mail marketing em uma época na qual os grandes portais não possuíam servidores de banners personalizados e o e-mail surgia como uma nova ferramenta muito interessante de marketing. Entre outros fatores, ela se destacava por sua possibilidade de segmentação (através do email, era possível se comunicar apenas para o target pré-estabelecido), fator muito relevante e atraente para o anunciante.

Nesse período, muitas empresas começaram a construir bases opt-in e alugá-las para diversos clientes, entre elas estavam Uol, Terra, Fulano (empresa que originou a F.biz), etc. O meio começou a ser muito explorado e o grande problema é que cada veículo tinha suas próprias regras. Usavam a base como bem entendiam. Muito conteúdo era enviado para esses clientes, muitas vezes não associado a uma segmentação ou com uma freqüência acima da desejada, ou seja, a mensagem deixava de ser relevante para o cliente. Assim começou a autodestruição do canal. Para se ter uma idéia dos e-mails marketing disparados pelo Fulano atualmente, em média, apenas 10% são abertos (eu sei que isto acontece com muitos outros sites).

Logo de cara dá para perceber muitas semelhanças entre e-mail marketing e SMS marketing. Espero que a semelhança fique apenas em relação aos respectivos surgimentos. Para que isso aconteça devemos tomar alguns cuidados para preservar o canal e, conseqüentemente, manter a altíssima taxa média de abertura de mensagens que existe hoje.

Um SMS é mais pessoal que um e-mail e isso só aumenta a minha preocupação. O e-mail te dá uma maior flexibilidade para evitar spams. Além dos anti-spams, é possível programar uma regra para que certos e-mails cheguem direto na lixeira. Outro fator importante é o opt-out, todo e-mail marketing “sério” deve possuir essa opção no rodapé. Já no SMS, não temos Anti-Spam nem “Regras de Lixeira”. O “como fazer opt-out” não fica claro nas campanhas de SMS MKT devido aos poucos caracteres que a mensagem disponibiliza. Portanto, é fundamental criar comandos simples de descadastramento.

Por esses motivos vejo com o pé atrás a atuação de empresas como a Dase e a Cellmidia que montam bases opt-in para o envio de SMS marketing e as alugam para anunciantes. Se por acaso elas começam a “alugar” essa base para diferentes clientes sem o devido critério (SMS sem relevância, alta freqüência, etc.) podemos cair no mesmo problema da “crise do e-mail marketing”.

Portanto, creio que as operadoras têm um papel muito importante nesse processo. Elas devem regulamentar as regras. Ninguém tem mais interesse que este mercado aconteça da forma correta e sem exageros, afinal o usuário de celular não é só cliente da Unilever, Pepsi, Cellmidia ou Dase… É, principalmente, cliente das operadoras! Se ele estiver insatisfeito, trocará de operadora, não de refrigerante. Se quiser reclamar, vai ligar para o call-center da operadora, não para o da Pepsi.

Por essas e outras acredito que mensagens broadcast devem ser enviadas apenas para a base opt-in da própria operadora (e ainda sim com muita cautela). Outra alternativa que considero válida é o anunciante construir sua própria base opt-in. Porém, essa base deverá ser utilizada apenas para envio de mensagens desse anunciante.

Na minha opinião, neste momento de criação do mercado não deveria existir o aluguel de base opt-in… Precisamos ser realmente conservadores, caso contrário, vou ter que repetir o mesmo processo que faço na minha Caixa de Entrada do Outlook – deletar dezenas de emails indesejados todos os dias (isto porque o meu Anti-Spam funciona bem) :(

Tecnologias: SMS.

Empresas participantes: F.biz.

30 de abril de 2008

Um momento de sua atenção, por favor – Share of Hardware

por Terence Reis MMA

De vez em quando há algumas idéias simples – das quais estamos todos cientes – mas que no entanto não usamos como deveríamos. E nem mesmo expressamos – o que diminui sua utilidade. Queria falar de uma destas.

Vejam, por exemplo, todo o nosso discurso sobre as vantagens do celular como ferramenta de marketing: “está sempre com o usuário, 24×7″; “você nunca sai de casa sem o celular”; “do impulso à ação, sem barreiras”. Ou então o que dizemos sobre os problemas: “a usabilidade ainda é um obstáculo”; “para o usuário normal de celular (o normob) é muitas vezes complicado digitar a URL”.

E o que dizem sobre a atenção? Sabemos que a atenção do consumidor é hoje o principal e escasso ativo. Há sobrecarga de comunicação e de informações, a atenção é limitadíssima. Isto significa que você não pode mais se fiar apenas em capturar mindshare. Melhor dizendo, mindshare é para poucos – sabemos quais são (por princípio, aliás).

Como lidamos com este desafio de capturar a atenção? A resposta está no parágrafo anterior. Está na mão. Ocupe espaço – não na mente, mas em um novo território de combate, no deck do celular. Quando você se estabelece no celular, você obtém o que chamo de share of hardware. Ter um lugar ali é ter um pedaço da atenção do usuário – incrementando o uso de seu aplicativo e por conseguinte o relacionamento com sua marca.

Uma estratégia de obtenção de share of hardware é parte implícita das vantagens que divulgamos do celular. Qual o ponto de estar conosco 24×7 se não o ativamos? Como superar os problemas relacionados, por exemplo, digitar uma URL (e se lembrar desta) se não por fazendo-se presente e pronto para ser utilizado? E veja que forma excelente de se capturar a atenção – se faça presente no campo visual do seu usuário.

E como podemos aplicar isto às ferramentas de mobile marketing que usamos mais comumente? Como levar meus 32×32 pixels às “massas”?

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Primeiro, claro, distribuição.

SMS: você recebe a mensagem, esta lhe chama a atenção, você abre, você age. E é provável que permaneça em sua caixa de entrada pelo tempo necessário. Isto torna o SMS um recurso que pode ser utilizado para que você consiga seu share.

Bluetooth: os problemas e vantagens do bluetooth têm sido discussão recorrente. E de todos os problemas, o mais crítico é a falta de definição sobre onde irá aparecer sua mensagem, seu conteúdo no celular. Mas, a despeito dos problemas, é excelente ferramenta para a execução de sua estratégia.

E agora as ferramentas que na prática permitirão a obtenção do share of hardware:

Site móvel ou aplicativos baseados no acesso pela web móvel: o acesso a sites e aplicativos no celular ainda enfrenta críticas (fundamentadas). É difícil para o usuário regular digitar URLs; os browsers mobile não dão suporte adequado, apresentando muitas vezes os sites de maneira diferente de um celular para o outro e da intenção original. E nem vamos comentar sobre o custo e qualidade das conexões atuais.

Porém, os custos tendem a diminuir (embora lentamente até o momento); apesar da recente deterioração da conexão a tendência é de aumento da velocidade e estabilidade, a tecnologia de browsers têm avançado (WebKit Nokia, Mobile Safari). Estas tendências colocarão a web no celular em uma situação semelhante de usabilidade às aplicações off-line (aplicativos baseados em J2ME, principalmente). O mesmo que vemos hoje acontecendo na web fixa tende a acontecer mais rapidamente e com menor (ou nenhuma) inércia do usuário para mudança.

Aplicativos off-line: são as ferramentas mais adequadas para a obtenção de share of hardwware. Você obtém a aplicação, você instala, você usa – e está lá, sempre que precisar. Sem necessidade de digitar URL, menos dependência de conexões com a internet, menores custos. Entretanto, o desenvolvimento de bons aplicativos envolve custos e ainda maiores desafios na adaptação aos diferentes aparelhos. Além disso, instalar um aplicativo no celular é um processo tão esotérico para o usuário quanto digitar uma URL.

Há portanto obstáculos consideráveis para merecermos presença no celular de nosso público. E o que eu sugiro? Eu sugiro que continuemos insistindo.

Levando em conta que eu tenho um grande viés a favor da web móvel, uma boa estratégia (por exemplo, para um provedor de conteúdo) pode envolver uma destas possibilidades (ou todas):

Distribuição

- Envio de SMS-links ou wap-push como trigger da interação

- Entrega por meio de bluetooth

- Call to action bem elaborado – claro e motivador (por mais óbvio que seja, isto não acontece na maioria das vezes)

Conteúdo

- SMS: link para o site móvel. No site móvel, apresente a opção de salvá-lo como favorito. E explique como fazer – o Google faz isso.

- Ou você pode deixar mais fácil e fazer melhor: ofereça um aplicativo de bookmark para download – um site launcher. É simples e leve (2KBs resolvem seu problema): um ícone para instalação no deck do aparelho que simplesmente ativa o browser e carrega seu site móvel.

- Se utilizar o bluetooth, envie o aplicativo – como é leve, toda a interação levará alguns segundos.

E pronto.

Claro que você pode optar por entregar um aplicativo off-line. Por exemplo, um catálogo mobile onde seu usuário poderá navegar pelo conteúdo e ativar a conexão apenas quando atualizar ou quiser fazer o download do conteúdo escolhido. Ou o que estiver de acordo com o briefing do cliente.

Bom, em um mundo perfeito você estará com sua aplicação/link bem estabelecido no deck do celular. E a chance é muito boa de que, sempre que o usuário utilizar o celular, lá estará sua marca, pouco a pouco capturando sua atenção. Se além disso você entregar valor, isto é mais que perfeito.

Claro, no mundo real, nunca se sabe. Provavelmente seus problemas já começarão no primeiro SMS. Mas ninguém disse que ia ser fácil, oras.

Tecnologias: Aplicativo Mobile, Bluetooth, Internet Móvel, SMS.

Empresas participantes: F.biz.

25 de abril de 2008

Ative seu bluetooth agora

por Flavio Tamega

Eu sou um dos maiores entusiastas quando o assunto é novas tecnologias, mas não entendo como campanhas envolvendo bluetooth podem ser associadas e vendidas como uma saída para a proibição de mídias outdoor.

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Antes de tudo, existe um trabalho que deve ser feito com o cliente, explicando que nem todos os usuários serão atingidos pela mídia. Existem aparelhos, como a maioria dos Motorolas, que após ativar o bluetooth só ficam como “localizáveis” por 60 segundos. Existem usuários que não sabem ativar o bluetooth, aparelhos com o recurso de recebimento de arquivos via bluetooth bloqueado, etc.

Vejo muitas empresas entrando no mercado, sem saber como as coisas realmente funcionam e, infelizmente, acabam queimando cartuchos (e o filme do mercado) desnecessariamente. Um exemplo disso são empresas de mídia exterior que, com a nova lei do município de São Paulo, tentam “empurrar” as vendas para esse “milagre” que é o bluetooth.

É certo, sim, que é uma campanha mais direcionada, mas é muito mais complicado para ensinar ao usuário como ele deve ser atingido. Não existe padrão para, por exemplo, ativar o bluetooth, ou seja, é inviável deixar uma menina bonitinha mostrando como ele funciona nas centenas de aparelhos distintos.

Estive há um tempo em um shopping, vi uma campanha direcionada para usuários de um certo tipo de aparelho. Por coincidência era o meu. Deixei o bluetooth ativado e tchan! Nada, só recebi requisições de outros usuários que, imagino eu, estavam procurando o access point. Mais um erro simples: para este meu aparelho não basta ativar o bluetooth e ficar “localizável”. É preciso iniciar uma ação através do sistema de mídia e esperar a conexão do transmissor. Em resumo: muito difícil para um usuário comum.

Não digo que não acredito no bluetooth, pelo contrário, como disse no início sou um dos maiores entusiastas, mas como com tudo que é novo, deve-se quebrar uma barreira grande, principalmente quando não existem padrões. Temos exemplos de campanhas muito bem feitas. O grande segredo está na mídia offline que deve ter um forte poder educativo.

Tecnologias: Bluetooth.

Empresas participantes: F.biz.

13 de abril de 2008

O celular e a inclusão digital

por Flavio Tamega

Uma pessoa existe se não tem e-mail? Essa era uma brincadeira que fazíamos com nossos amigos que não o possuíam, há alguns anos. É uma pergunta tola, mas que acaba refletindo o nosso dia-a-dia, no qual fomos criando um mundo paralelo onde as pessoas só se comunicam por e-mail e Instant Messengers.

Eu trabalhei um bom tempo com projetos de inclusão digital, era responsável pelos sistemas de ensino a distância e pelo próprio sistema operacional “adaptado” para pessoas que nunca tinham visto sequer uma televisão. Uma das coisas que mais gostava de fazer era reparar como essas pessoas lidavam com as novidades. A uma certa altura, em uma cidade no interior de Alagoas, comecei a reparar que a maioria das pessoas que vinham acessar os centros tinham um celular em mãos. Muitas vezes, eles eram até melhores que o meu.

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Não é difícil imaginar essa situação sabendo que hoje o número de celulares supera com facilidade o de computadores. Elas estavam ali para aprender a usar o PC e não para serem incluídas nesse “mundo digital”. Para mim, o verdadeiro “inclusor” digital é o celular e é por meio dele que muitas pessoas começam a ter acesso às primeiras transações online como SMS, Wap e, em alguns casos, web.

Hoje, a maioria das pessoas sabe como interagir via SMS, graças a campanhas em que a divulgação e a “catequização” do uso da ferramenta foram muito bem-sucedidas, como Big Brother e os leilões reversos.

É interessante saber que, por exemplo, quando alguém precisa passar um recado o primeiro mecanismo que vem a sua cabeça é o SMS e não uma ligação telefônica ou e-mail. Outro exemplo é quando alguém precisa checar seu saldo no banco ou realizar alguma transação. É muito mais fácil (dependendo do aparelho) realizar o processo pelo wap site.

Que venha o Mobile Marketing! Com certeza teremos mais público que um banner na web. ;)

Tecnologias: Nenhuma tecnologia cadastrada.

Empresas participantes: F.biz.

01 de abril de 2008

Comentário sobre a MMA

por Terence Reis MMA

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Quem acompanha o mercado provavelmente ficou sabendo que na semana passada houve o evento de lançamento da MMA LATAM no Brasil. A Mobilepedia fez um breve post a respeito. Para quem não acompanha, a MMA é a associação de marketing móvel em nível internacional. MMA LATAM é seu capítulo América Latina, que terá sede em São Paulo. O propósito da associação – no estatuto – é a promoção do crescimento do mercado de mobilidade. Na prática a MMA atua por meio do estabelecimento de regras, melhores práticas, comitês de estudo, fóruns e eventos para intercâmbio de idéias.

A presença da MMA no Brasil é um evento relevante. Reflete diretamente os esforços das empresas em construir um ecossistema viável de marketing móvel. Eu espero que seja absorvido da maneira como deve: a presença da MMA não significa mais negócios e menos obstáculos de um dia para o outro.

O crescimento econômico somente é viável em um ambiente de regras claras – e aplicadas de modo equânime; de intercâmbio transparente de informações e do acesso livre a estas; e onde haja garantia de regularidade na oferta dos produtos e serviços. O que é verdade no ambiente macro vale para o ambiente micro. Somente veremos crescimento consistente do mobile marketing no momento em que encontrarmos todos estes fatores atuando em conjunto. No momento, o esforço é descoordenado, o que gera incerteza prejudicial ao empreendedorismo e insegurança na ponta da demanda.

O conjunto de práticas da MMA, portanto, atua no sentido de tornar possível um ambiente onde o mercado se desenvolve de modo consistente – ultrapassando a situação de ser resultado de sucessos empresariais pontuais.

A minha preocupação é se entendemos todos o papel da associação da mesma forma. Há uma tendência – cultural – ao messianismo. Ao herói. Esperamos sempre que apareça alguma entidade superior que resolverá nossos problemas. Os exemplos no cotidiano são muitos – da política ao futebol.

Mas não podemos resolver nossos problemas top-down. Ainda mais se consideramos que a MMA é uma instituição internacional, com sede nos EUA – alheia ainda às nossas necessidades locais. Por isto, me preocupa que, no evento, não tenha sido dada a devida atenção ao principal mecanismo da associação: os comitês de estudo. Destes comitês saem as proposições de melhores práticas, de regras, os estudos que irão orientar o mercado localmente. Há comitês que discutem, por exemplo, a inserção das mulheres no mercado de mobilidade – cujo domínio é essencialmente masculino; ou como as culturas urbanas se relacionam com o celular.

O tamanho de nosso mercado e seus desafios garantem a existência de diversos comitês – da definição de regras para campanhas de SMS às questões de inclusão digital (alguém se lembra?). Mas como foi ressaltado no evento – é necessária a participação e o comprometimento das pessoas e empresas que irão compor a MMA.

Ou assumimos o desafio de criarmos nós mesmos as condições, ou a MMA no país não será mais que mecanismo de propaganda para alguns, por algum tempo.

Tecnologias: Nenhuma tecnologia cadastrada.

Empresas participantes: F.biz.

31 de março de 2008

Conte sua vida em 138 caracteres, Projetos Mobile – Um mundo à parte

por Flavio Tamega

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Quem está de fora, não imagina que este mundo em 138 caracteres é tão complexo. Hoje quando falamos em projetos, temos a idéia clara de etapas a serem cumpridas, processos, etc. Mas isso funciona para projetos Mobile?

É uma pergunta que me faço todos os dias, principalmente em projetos quando a demanda é externa. Muitas vezes vinda de pessoas ou empresas que não tem conhecimento no mercado Mobile. Hoje, o desafio é entender como moldar os processos e assim melhorar as entregas.

ASAP virou um jargão muito utilizado no dia-a-dia, praticamente é sempre o deadline de qualquer projeto. Existem diversos Gerentes de Projeto e nenhum “dono” do projeto, a etapa de planejamento ocorre quando o fornecedor já recebeu o deadline (ASAP) e ainda está aguardando pelo escopo do produto, que será enviado pós-ASAP. Em um parágrafo, consegue-se ver onde quero chegar. Na maioria das vezes quem demanda ou fecha o escopo com o cliente são empresas que ainda não tiveram contato com o mercado Mobile e, na hora de apresentar uma idéia ou vender um projeto, acaba fazendo analogia com o mundo que eles conhecem, principalmente Web. Já recebi projetos vindo de terceiros onde tínhamos um texto com 300 caracteres, simplesmente para informar ao cliente que “seu exame está pronto”. Ou então recebi escopos, digamos “pseudo-escopos”, onde a descrição era um produto simples e perto da data de entrega (ASAP) esse produto simples torna-se um produto complexo.

Mas não está certo reclamar e cruzar os braços, temos é que nos adaptar e tomar as rédeas em situações como estas. Ainda não encontrei a fórmula milagrosa, como sei que também não existe esta fórmula em qualquer tipo de projeto, mas posso chegar a algumas conclusões simples.

Eu entendo que o erro está nos dois lados, começando por quem é realmente a “dono” do projeto. Em resumo, esta pessoa/empresa simplesmente encontrou um fornecedor, sentiu-se segura e não se preocupou em definir os pontos mais importantes do projeto como: definir escopo com o detentor da tecnologia e, não pular a etapa de planejamento.

Em contrapartida, o fornecedor não deveria agir como simples fornecedor, principalmente por se tratar de um projeto onde ele sabe que a contratante não conhece as particularidades do negócio. Ele deveria, sim, assumir o papel de Gerente do projeto, definir o escopo e literalmente ser o “dono” do projeto, direcionando a contratante e informando sobre estas particularidades.

Sei que ainda há muito trabalho pela frente, mas sei que a cada dia que passa conseguimos trazer os clientes mais próximos deste mundo de 138 caracteres. (138 Caracteres é uma analogia aos primeiros projetos Mobile, SMS puros. Hoje conseguimos contar um pouco mais de nossa história em outros ambientes mobile)

Tecnologias: Nenhuma tecnologia cadastrada.

Empresas participantes: F.biz.

20 de março de 2008

Um bom site móvel – versão resumida

por Terence Reis MMA

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Foi necessário o iPhone para que a web móvel começasse a ganhar o interesse do público. Mas, mesmo sem muita atenção, gradualmente já estava sendo construída uma rede de sites com conteúdo relevante para acesso pelo celular. É provável que atualmente toda publicação tenha seu site móvel. O próximo passo importante deve ser dado por marcas cujo conteúdo de entretenimento tem presença forte em sua comunicação. Após isto, serviços e comércio são conteúdos com potencial. O que justifica a pergunta: como desenvolver um bom site para o celular? Preparei uma espécie de check-list que, se não garante a qualidade, ajuda bastante.

Planejamento

- [ALERTA DE CLICHÊ] Favor não miniaturizar seu site. Site móvel não é um site para ser lido na tela do celular. É um site que faz o melhor uso possível do contexto gerado pela situação de mobilidade. É importante avaliar como sua marca/empresa pode fazer uso deste. No celular, muitas vezes, as informações de contato são as mais relevantes. Todos os sites de publicações apresentam informações sobre o tempo logo no início, por exemplo.

- Perfis de uso: para auxiliar no planejamento a construção de perfis de uso pode ser muito útil. Eu utilizo quatro, que englobam a maior parte dos usuários de celular: o curioso; o apressado; o entediado; o repetitivo.

Desenvolvimento

- Use o padrão: XHTML-MP. As referências estão aqui: dev.mobi. Isto deveria ser óbvio, mas quase todos os sites móveis no Brasil não utilizam corretamente o padrão.

- Utilize uma estratégia de identificação de dispositivos.

- Preste atenção às restrições: ao utilizar uma folha de estilo externa alguns browsers irão criar problemas (podem não carregar o background, podem forçar o uso da fonte de sistema)

- Por isso mesmo, não use as recomendações baseadas no padrão de desenvolvimento de modo automático

- Imagens: use atributos de tamanho, o site irá carregar mais rapidamente.

- Métricas: já existem algumas ferramentas interessantes no mercado: Amethon, Bango, Mobilytics.

Design

- O celular pode, sim, ter espaço para um design interessante. A combinação de imagens e textos contribui para uma navegação mais agradável.

- Confie no uso de ícones. Certifique-se de que o significado é evidente.

Usabilidade

- Evite muitos cliques para chegar ao resultado final.

- Mas não crie um site horizontal. Observe a relação entre conteúdos e crie um clickstream que permita a navegação em diferentes níveis. Um exemplo simples aplicado a publicações é, em vez de apresentar “próxima notícia”, apresentar todas as notícias relacionadas como links abaixo do conteúdo.

- Busca: se tem muito conteúdo e sua atividade justifica, vale inserir uma caixa de busca em seu site. O Google tem um programa para parceiros – aqui.

- Imagens: use o atributo ALT. Há usuários que configuram seu browser para não carregar imagens. O uso do ALT o auxilia a definir se carrega ou não a imagem.

- Imagens: crie a opção em seu próprio site para o usuário “desligar” o carregamento de imagens.

- Favoritos: este, todo provedor de conteúdo deveria ter. Crie uma área – na página principal – onde o usuário poderá criar e acessar seus conteúdos favoritos. Isto pode ser feito manualmente ou automaticamente.

Publicidade

- Se em seu site terá publicidade, você pode querer se certificar de que esta será eficaz. Use um banner por área visível, é uma boa prática. Isto significa que independente do tamanho de sua página, haverá sempre publicidade visível enquanto o usuário faz o scroll desta.

- Facilite a volta: ao clicar no banner o usuário pode querer retornar a seu site. Portanto, não force a abertura em nova janela – isto não é evidente no celular, muitos usuários podem ficar perdidos.

Acesso

- Em um mundo ideal o seu site na internet comunicaria a sua presença mobile. Neste você deveria informar a URL móvel e oferecer a opção para o consumidor receber o link no celular – por SMS.

- Providencie a indexação nos mecanismos de busca: Google e Yahoo!.

- Faça publicidade em outros sites móveis.

Muitas dicas presumem um conhecimento prévio (por exemplo, estratégias de identificação). Como eu disse, esta é uma versão resumida. Em breve apresentaremos uma versão mais detalhada. Enquanto isso, sinta-se à vontade para usar os comentários se precisar de mais esclarecdimentos.

Tecnologias: Internet Móvel.

Empresas participantes: Nenhuma empresa participante.