Entrevista - Eric Santos, Praesto

Na semana passada, Eric Santos, da Praesto, veio aqui na F.biz. Aproveitei a ocasião para fazer uma entrevista com ele e o resultado ficou bem bacana. Posicionamento, Mobile Marketing/Advertising e até a própria MobilePedia foram os assuntos em pauta. Confira:
Quanto tempo tem a empresa, quantos funcionários, onde fica e quais são as fontes de receita?
A Praesto tem cerca de cinco anos, mas só começamos a trabalhar com mobile marketing no final de 2006. Sua sede fica em Florianópolis-SC, e temos atualmente 14 colaboradores. Nossa receita é dividida com um certo equilíbrio entre desenvolvimento de projetos sob demanda para agências, aplicação de “produtos de prateleira” (ex. Guia Mobile de Eventos) e venda de mídia nos nossos serviços próprios (mobile advertising).
Mesmo estando fora de um grande centro econômico vocês hoje são uma empresa conhecida e respeitada no mercado de mobile marketing. Qual foi a estratégia usada?
De fato estar em Florianópolis nos traz algumas barreiras comerciais com as quais temos que lidar constantemente. Por outro lado, a cidade também traz vantagens pela sua vocação e orientação tecnológica, especialmente na questão de acesso a talentos e fomento à inovação em TI. Pelo nosso posicionamento, é um trade-off que tem valido a pena.
Com relação à estratégia da Praesto, alguns aspectos têm mudado ao longo do tempo, mas considero que esses têm sido fundamentais para esse reconhecimento mencionado:
- Compartilhar: Buscamos, dentro do possível, externar de várias formas o que aprendemos com os nossos projetos, usuários, estudos, etc. Fazemos isso via blogs, artigos, reports, eBooks, etc.;
- Ter foco: Não pretendemos “fazer tudo” em mobile marketing. O nosso foco hoje está onde acreditamos que temos claros diferenciais: soluções através de aplicativos e mobile sites. Também valorizamos o trabalho de parceiros (comerciais ou tecnológicos) que nos permitem oferecer uma solução mais completa quando necessário.
- Inovação e qualidade: Buscamos fazer ações e serviços que de fato agreguem valor e garantam uma boa experiência ao público consumidor. Isso exige bastante P&D interno, e muitas vezes usamos os nossos serviços próprios para experimentação de tecnologias e práticas.
Dito isso, pode somar também muita sola de sapato (inclusive em São Paulo) para garantir essa visibilidade.
Vocês possuem alguns veículos de mídia próprios, como mKut, Voos Mobile… Você acha que dá para brigar com os grandes portais pela verba de publicidade do anunciante?
Para responder essa pergunta vou dividir essa briga em duas partes: a primeira é a briga pela audiência dos usuários, e a segunda é a briga pela verba dos anunciantes.
Com relação à audiência, temos total convicção de que podemos ser muito relevantes. Apesar de não termos nenhum canhão de mídia ao nosso dispor, considero que sabemos criar e operar serviços úteis e atrativos para os usuários, o que estimula experimentação, retenção e viralização por parte dos mesmos. Além disso, procuramos utilizar de forma eficiente as mídias sociais para entender melhor os usuários e reforçar esse processo. Isso ajuda a explicar o crescimento contínuo que temos nos nossos serviços desde o lançamento (hoje com cerca de 3 milhões de acessos mensais somados), sem ter feito nenhum investimento de mídia para promoção.
Já com relação à verba dos anunciantes em comparação aos grandes portais, temos basicamente a desvantagem de não poder oferecer um pacote mais completo, incluindo veiculação em outras mídias (como alguns deles têm feito), além de não termos atualmente uma força comercial especializada nisso. Com relação a esse último ponto, estamos avaliando e testando algumas possibilidades com ad-networks para melhorar o índice de preenchimento do inventário e consequentemente a geração de receita nessa frente.
Na sua opinião, o que deveríamos fazer para alavancar ainda mais o mercado de mobile marketing?
Para mim o maior desafio continua sendo o mesmo de dois/três anos atrás: educar os players . Felizmente, vejo que hoje já podemos trabalhar mais com o “como” e menos com o “porquê” fazer mobile marketing, dado que o mercado – agências e anunciantes principalmente – já comprou a idéia da importância e pertinência do canal, mas em geral ainda não sabe o que fazer quando vai para a prática.
Outro ponto importante, mas um pouco delicado, é que as empresas em geral devem ter um senso de responsabilidade com relação à qualidade das ações que oferecem para os clientes. Como empreendedor na área, compreendo bem a necessidade de cases e receitas, mas eventualmente vemos algumas ações com falhas fundamentais em aspectos conceituais ou técnicos, e quando isso ocorre atrapalha todo o mercado, pois além da própria empresa é a credibilidade do canal mobile que está em jogo. Ressalto que esses são casos isolados que não ocorrem na maioria das vezes, mas ainda assim acho importante fazer o alerta.
Eu sei que você é um leitor assíduo do Mobilepedia. Quais são as sugestões para melhorar o site?
Antes dos pitacos, queria aproveitar para parabenizar o trabalho da equipe pelo site e pela gestão do espaço, que do meu ponto de vista é feita de forma bastante transparente e meritocrática.
Acho que o Mobilepedia tem duas boas oportunidades para evoluir:
- Educação de agências/anunciantes: Os cases de cobertura de eventos são muito bons para se acompanhar com frequência, mas acho que os “marinheiros de primeira viagem” podem se sentir um pouco perdidos no site. Talvez uma seção com conteúdos mais introdutórios sobre as diferentes áreas/tecnologias poderia acelerar a curva de aprendizado do público.
- Conhecimento entre as empresas do mercado: Temos alguns desafios comuns na indústria que nem mesmo nos eventos da área chegam a ser discutidos. Uma idéia para trabalhar melhor isso seria promover entrevistas ou mesas-redondas sobre temas específicos (ex. Bluetooth, SMS, aplicativos, mobile advertising, etc.).
Tecnologias: Nenhuma tecnologia cadastrada.
Empresas participantes: Praesto.


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