Garota Sem Fio: do analfabetismo digital para o mundo da tecnologia móvel

“Uma analfabeta digital” é assim que se definia Bia Kunze, antes de ganhar o seu primeiro Palm, em 2001. A cirurgiã-dentista, especializada em homecare, que ficou conhecida como Garota Sem Fio pelo grande sucesso do seu blog, é uma referência quando o assunto é tecnologia móvel.
A popularidade da Garota Sem Fio estourou entre 2004 e 2005, quando o país viveu um boom de tecnologia móvel. Hoje, se tornou o maior blog sobre mobilidade no país, talvez por isso ela tenha mais de 25 mil seguidores no Twitter, onde posta dicas rápidas sobre soluções ligadas a mobile, impressões sobre produtos e serviços testados. Ela também tem um podcast (Podsemfio), um programa sobre tecnologia móvel, em que grava entrevistas pelo celular.
Além do trabalho na área odontológica, a Garota Sem Fio presta consultoria de mobilidade para profissionais liberais, empresários e executivos que buscam produtividade. Também é comentarista de cybercultura na rádio CBN, escreve para Revista Oficial e Mac+. Na TV, faz resenhas sobre produtos e serviços na seção Laboratório, do programa Olhar Digital, na Rede TV!. Com tanta experiência em tecnologia móvel, a equipe do Mobilepedia bateu um papo com Bia Kunze para falar sobre o sucesso de seu personagem, a Garota Sem Fio, seu interesse em mobile, percepções e tendências do mercado. Confira.
Como surgiu a idéia do blog?
Eu era uma analfabeta digital até o ano 2000. Ganhei um Palm em 2001 e passei a carregar os prontuários dos meus pacientes nele. Como dentista, eu não entendia nada do que falavam sobre os palms, era informatiquês. Comecei a pesquisar como autodidata, fui descobrindo as coisas, as pessoas foram me procurando para saber mais informações. Então, surgiu o blog, que no começo eu falava apenas de palms e wireless.
Ao que se deve o sucesso do seu blog?
A linguagem é mais simples. Não fico me aprofundando em tecnologia, tento sempre abordar o lado mais prático. Em 2005, despertou a tecnologia móvel e eu fui crescendo junto com interesse que as pessoas tinham no assunto.
Quantos aparelhos celulares você recebe por mês para teste?
Recebo uma média de três aparelhos por mês e fico com eles durante uma semana. A lista é sempre grande, tenho chip de todas as operadoras, mas ando com dois sempre, cada dia levo um para algum lugar.
Como está o mercado de mobile marketing? Tem alguma ação que você queira destacar?
Algumas empresas têm a mobilidade como uma ferramenta de negócios e algumas entram para mostrar que fazem parte da tecnologia. Por isso, há empresas que queimam o filme com o lançamento de aplicativos ruins. Como sempre falaram que tinha tecnologia avançada, querem fazer qualquer coisa e nunca sai aquilo que o público quer ver. Tem que saber o que o público da empresa quer primeiro. As ações do Bradesco e Itaú são bem legais, mas banco tem muito dinheiro para investir, né?
Mas, falta acerto nas ações perante o público. Há ações bem-sucedidas e aquelas que não vão para frente. SMS, por exemplo, é bem sucedida, veja aquela do Big Brother Brasil. O celular é um aparelho que está na mão de todo mundo até em frente à TV e a pessoa não se importa de pagar 60 ou 70 centavos para participar da promoção, o que importa é a diversão. Pode se explorar mais o SMS, porque ainda é muito pouco explorado.
Você acredita que os serviços bancários mobile vão virar aqui no Brasil?
O movimento já está criando forças de operadoras de crédito e débito. Mas aqui há uma resistência, as pessoas têm medo de golpes e crimes. Elas acham que se o celular for roubado, o ladrão vai roubar tudo que ela tem no banco. É pouco abordado o lado prático da coisa, mas à medida que as pessoas perceberem o quanto isso vai facilitar a vida, o negócio começa a crescer.
O que você acha dessa disputa entre Android e iOS4?
O Android não está muito nas mãos das pessoas. Mulher prefere iPhone porque é prático e não quer perder tempo descobrindo as funções do aparelho. Também tem a questão de status, conheço muitos executivos que tem um Blackberry, mas comprou um iPhone. Já o Android, por enquanto, está nas mãos dos nerds e adolescentes ligados às redes sociais
E o foursquare, realidade aumentada, QR code, Bluetooth…vai disseminar aqui no Brasil?
Isto esta muito longe ainda. Para disseminar esta tecnologia, as empresas têm que ter o interesse de não apenas possuir o software, mas colocá-lo em seus produtos. Hoje, QR code eu vejo mais em cartões de visitas de quem trabalha com publicidade.
Como serão os celulares do futuro? Touchscreen ou Teclado? Wireless e 3G?
Internet é básica. Touchscreen e também com teclado porque é uma questão de coordenação motora, tem pessoas que preferem as teclas. A tendência é que os desktops virem uma media center, com espaço em destaque nas salas de estar, e os laptops ficarão no trabalho. Para ler notícias e acessar redes sociais utilizaremos o smartphone, que será um dispositivo móvel pessoal.
O que falta para o mercado de mobile marketing estourar aqui no Brasil?
Aqui vai demorar. Eu comparo sempre com a demora de disseminação da internet. As pessoas falam muito da banda larga, mas ela ainda atinge pouca gente. No caso da tecnologia móvel, é preciso mais concorrência entre operadoras, mais empresas entrarem no mercado e também mais incentivo fiscal. Assim, como foi feito com o computador, uma renúncia fiscal para que as pessoas tivessem o primeiro desktop.
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Tecnologias: Aplicativo Mobile, Internet Móvel, SMS.
Empresas participantes: Nenhuma empresa participante.


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