Cielo e Redecard apostam em celulares para atingir classe C
Uma reportagem do DCI Online de hoje, mostra que a Cielo e RedeCard estão apostando no celular como ferramenta de comunicação e marketing para atingir a classe C. Elas são unânimes em dizer que o futuro deste mercado está ligado a dois fatores: classes emergentes e recebimento de contas em celulares.
Os executivos das duas empresas apostam que o celular será como um “terminal leitor de cartão” (POS) e estarão presentes nas mãos de trabalhadores informais e em lugares como favelas.
Rômulo Dias, presidente da Cielo, é o de criar produtos distintos para clientes diferentes. Ele conversou com o presidente da Gol Linhas Aéreas, Constantino de Oliveira Júnior, que quer uma solução para receber vendas durante os voos, que hoje são off-line.
Há a possibilidade de criar máquinas especiais para coletar pagamentos em lugares como favelas para venda de passagens aéreas. “Muitos clientes da Gol vindos da classe C pagam uma parte da passagem no cartão de crédito, outra em dinheiro e a outra parcelada no carnê. Faz sentido levar um celular para vender passagem em favela”, ressaltou.

Murilo Barbosa, diretor de Produtos e Serviços da companhia, em pouco tempo as viagens em família superarão as de negócios. Ele acredita que é preciso existir meios de pagamento eficientes para competir com os ônibus para viagens de até 800 quilômetros. Já a Redecard está ajustando os POS para capturar transações do programa de fidelidade Multiplus, que inclui a companhia aérea TAM e outras empresas.
O presidente da marca, Roberto Medeiros, também aposta em inovações tecnológicas: uma das apostas são 14 mil pontos-de-venda móveis espalhados pelo Brasil. “A novidade é o celular baixar um programa que possibilita fazer do aparelho um POS. Vendedores informais, feirantes, entre outros , o utilizam.”
Ele destaca ainda que cerca de 100 pessoas já carregam no celular o cartão de crédito. Ele acredita que no futuro os celulares sejam cartões também. “O potencial é grande e será difundido no País.”
De olho na classe emergente, o presidente da Cielo, Rômulo Dias, destaca que as classes C e D são responsáveis por 59% da massa de renda do Brasil, a qual estimou em R$ 1,4 trilhão: “Essa massa de pessoas soma 73% da população. Em 2002 [quando a renda era R$ 976 bi ], a classe A respondia por 30% da renda nacional, mas hoje a porcentagem é 16%, ou seja, a metade. É uma revolução: as classes sociais foram migrando e gerando negócios”.
Para ele, de nada adianta estar presente em 98% dos municípios se não houver venda no comércio e movimentação nas maquininhas da empresa. Dias relata que, antes de chegar às periferias dos grandes centros urbanos, a Cielo fez experiências nas Regiões Centro-Oeste e Nordeste para desenhar produtos para menores faturamentos. “Subimos a favela da Rocinha, no Rio, há um ano e meio, e depois Paraisópolis, em São Paulo, cuja população gira entre 80 mil e 100 mil.”
“O celular cai como uma luva nestes lugares. Adaptamos o celular do pequeno comerciante local a um aluguel de R$ 10. Eles também fazem antecipação de recebíveis e o mercado cresce rapidamente”, relatou.
Operadoras
Para suportar operações via celular, recentemente Oi e Cielo fundaram uma joint venture. Para fechar o negócio, a Cielo comprou 50% da Oi Paggo (sistema de compras via telefonia celular). Este já possui uma base de 250 mil usuários e 75 mil lojistas cadastrados. “Ao anunciarmos a parceria com a Oi pegamos o serviço telefônico deles e juntamos com nossa penetração de mercado de 1,8 milhões de pontos.”
Na avaliação dele, a Oi consegue priorizar o sistema de mensagens instantâneas (SMS) e eles disseminam o negócio via celular onde a empresa de telefonia não teria força para alcançar. “O negócio é como um carro antigo e a álcool: no começo demora a pegar, mas depois anda”, brincou.
Cielo e Redecard apostam no crescimento da classe média e no uso de celulares como POS para impulsionar crescimento do mercado, principalmente em áreas carentes.
(Via DCI On Line)
Siga os posts do Mobilepedia no Twitter de Marcelo Castelo
Tecnologias: Mobile Payment.



Compartilhe esta página: