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30 de julho de 2008

SMS marketing – Como não queimar o canal?

Por: Marcelo Castelo

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Quando vejo pesquisas falando que 94% dos SMSs recebidos são lidos, vejo um potencial enorme neste canal para fazer propaganda, entretanto, quando vejo notícias como a da Dase (formação de base opt-in e revenda de mensagens para anunciantes), fico extremamente preocupado.

Estou vendo o mercado acontecer, assim como vi nascer o e-mail marketing em uma época na qual os grandes portais não possuíam servidores de banners personalizados e o e-mail surgia como uma nova ferramenta muito interessante de marketing. Entre outros fatores, ela se destacava por sua possibilidade de segmentação (através do email, era possível se comunicar apenas para o target pré-estabelecido), fator muito relevante e atraente para o anunciante.

Nesse período, muitas empresas começaram a construir bases opt-in e alugá-las para diversos clientes, entre elas estavam Uol, Terra, Fulano (empresa que originou a F.biz), etc. O meio começou a ser muito explorado e o grande problema é que cada veículo tinha suas próprias regras. Usavam a base como bem entendiam. Muito conteúdo era enviado para esses clientes, muitas vezes não associado a uma segmentação ou com uma freqüência acima da desejada, ou seja, a mensagem deixava de ser relevante para o cliente. Assim começou a autodestruição do canal. Para se ter uma idéia dos e-mails marketing disparados pelo Fulano atualmente, em média, apenas 10% são abertos (eu sei que isto acontece com muitos outros sites).

Logo de cara dá para perceber muitas semelhanças entre e-mail marketing e SMS marketing. Espero que a semelhança fique apenas em relação aos respectivos surgimentos. Para que isso aconteça devemos tomar alguns cuidados para preservar o canal e, conseqüentemente, manter a altíssima taxa média de abertura de mensagens que existe hoje.

Um SMS é mais pessoal que um e-mail e isso só aumenta a minha preocupação. O e-mail te dá uma maior flexibilidade para evitar spams. Além dos anti-spams, é possível programar uma regra para que certos e-mails cheguem direto na lixeira. Outro fator importante é o opt-out, todo e-mail marketing “sério” deve possuir essa opção no rodapé. Já no SMS, não temos Anti-Spam nem “Regras de Lixeira”. O “como fazer opt-out” não fica claro nas campanhas de SMS MKT devido aos poucos caracteres que a mensagem disponibiliza. Portanto, é fundamental criar comandos simples de descadastramento.

Por esses motivos vejo com o pé atrás a atuação de empresas como a Dase e a Cellmidia que montam bases opt-in para o envio de SMS marketing e as alugam para anunciantes. Se por acaso elas começam a “alugar” essa base para diferentes clientes sem o devido critério (SMS sem relevância, alta freqüência, etc.) podemos cair no mesmo problema da “crise do e-mail marketing”.

Portanto, creio que as operadoras têm um papel muito importante nesse processo. Elas devem regulamentar as regras. Ninguém tem mais interesse que este mercado aconteça da forma correta e sem exageros, afinal o usuário de celular não é só cliente da Unilever, Pepsi, Cellmidia ou Dase… É, principalmente, cliente das operadoras! Se ele estiver insatisfeito, trocará de operadora, não de refrigerante. Se quiser reclamar, vai ligar para o call-center da operadora, não para o da Pepsi.

Por essas e outras acredito que mensagens broadcast devem ser enviadas apenas para a base opt-in da própria operadora (e ainda sim com muita cautela). Outra alternativa que considero válida é o anunciante construir sua própria base opt-in. Porém, essa base deverá ser utilizada apenas para envio de mensagens desse anunciante.

Na minha opinião, neste momento de criação do mercado não deveria existir o aluguel de base opt-in… Precisamos ser realmente conservadores, caso contrário, vou ter que repetir o mesmo processo que faço na minha Caixa de Entrada do Outlook – deletar dezenas de emails indesejados todos os dias (isto porque o meu Anti-Spam funciona bem) :(

Tecnologias: SMS.

Empresas participantes: F.biz.

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Comentários:

Ricardo 11 de janeiro de 2010

Excelente matéria

fabio 13 de março de 2009

A história está aí para ensinar a todos. Espero que tenhamos bom senso e humildade para aprendermos com os erros do passado, e trabalharmos da melhor forma possível, amadurecendo gradativamente esse canal de comunicação com gigantesco potencial. Que as discussões continuem, que as entidades envolvidas mantenham sempre esse perfil sério e atuante e tudo ocorrerá da melhor forma possível. abraço a todos

Henrique Vieira 12 de março de 2009

Castelo, Muito bom o tema. Aliás, antes do e-mail mkt vimos isso acontecer com os call centers. Concordo com seus pontos de vista mas discordo com relação às bases opt-in de empresas serem validadas pelas operadoras. Ora, as operadoras também são empresas e, pelo nº de reclamações que têm, sabemos que elas não são exemplo de "respeito ao consumidor" (taí o exemplo do Anônimo, logo acima). Uma sugestão que faço: auto-regulação, com uma câmara de validação de dados, com as operadoras como investidoras e anunciantes tb, mas com uma gestão independente - como foi a Serasa para os bancos. Isto traria mais seriedade para a atividade e evitaria o campo minado do "do not call me list". Já temos exemplos de condutas erradas o suficiente pra tentarmos um novo caminho, mais maduro e responsável, não acha?

Breno Fernandes 09 de março de 2009

Muito interessante, Castelo, mas, diante da novidade que o mobile marketing ainda é, é difícil convencer as empresas a pagarem pelo custo de uma criação e manutenção de sua própria base opt-in.

barbanti 19 de fevereiro de 2009

Despropositada a campanha fiat - stilo. 5 sms/dia 'incentivando' ninguem aguenta. Já mandei o meu - sair -.

Anônimo 19 de janeiro de 2009

Mensagem recebida hoje em um celular que certamente nunca deu opt-in para a operadora: Restam 40 Peugeot 307! Por mais 40 dias, concorra a um 307 por dia e muitos outros premios com a TIM! Basta comprar um ringtone: envie TIM pra 1010. R$1,99+imp Como não queimar o canal? Simples, basta as operadoras fazerem o que pregam.

Luciano SantaRitta 10 de outubro de 2008

Olá Marcelo, É realmente muito importante zelar pelo canal, já que o SMS tem um índice de efetividade tão alto e o exemplo do email é muito pertinente à situação. Porém sou contra a tese da validação da base através do cruzamento da base opt in do anunciante, com a base da opt in da operadora. Em termos jurídicos isso seria um exercício abusivo de poder por parte das operadoras. O usuário do celular, que optou por receber SMS's de um determinado anunciante, pode e deve, caso se sinta importunado, representar queixa judicial contra ele. Embora essa prática, quando usada indevidamente pelo anunciante, possa causar transtorno à operadora, essa por sua vez, pode também representar contra o anunciante, no mínimo, requerindo a confirmação de seu cadastro. Agora, permitir que a operadora seja previamente detentora de plenos poderes de ativação dos "direitos adquiridos" pelo anunciante, alcançados com seus próprios esforços e recursos, me parece uma posição um pouco ingênua do mercado. Seria fomentar, deliberadamente, mais e mais monopólios sobre a rede. Além disso, ferramentas anti-spam, serão sempre o antídoto, e uma oportunidade de negócios, caso o canal do SMS se torne o "email mkt 2". abs Luciano

willian 26 de setembro de 2008

Eu recebo mensagens das operadoras. Dá pra cancelar?

Simone 29 de agosto de 2008

Oi Castelo, gostaria de falar com vc sobre o case Seda Teens. Será que vc poderia entrar em contato comigo por email para que eu te fale o que preciso. att. Simone

Nivaldo 15 de agosto de 2008

Tema complicado esse. Já abandonei vários e-mails por não suportar mais receber propagandas. Aliás, pode ser de onde for a mensagem, vírus ou não, que denomino tudo como spam. Inclusive esse e-mail que utilizo para comentar em blogs é o único que "divulgo" na internet. Ele serve simplesmente para receber spams e confirmações de cadastro, que seja qual for o serviço ou empresa, logo vai me incluir na lista. E com meu celular estou sofrendo a mesma coisa. Recebo cerca de 5 SMS's por dia, a maioria da minha operador oferecendo desconto em eventos, mas ainda assim é irritante. Eu posso até ler a mensagem, mas é uma invasão de algo tão pessoal que sinto raiva pela incômodo. A publicidade invasiva se torna odiada, e o produto anunciado é o maior prejudicado.

Castelo 31 de julho de 2008

Oi Suzana, conversando com uma das operadoras hoje, existe um senso comum de que, caso você tenha uma base optin, você precisará revalidar esta base, com a base optin da operadora. Ou seja, imagina que você tenha um número de celular que está na sua base optin, mas este número não deu o optin para a operadora....pronto, você não poderá enviar o SMS para este usuário. Desta forma, o ideal seria que quando você pedir o optin para a sua base, você fale para o usuário - faça também o optin na sua operadora enviando SMS para o LA XXX. (pois, este optin só será válido se tiver nos 2 lugares) Isto tudo ainda é muito novo e esta é a posição de uma das operadoras...(é bem possível que este modelo seja seguido por todo o mercado...) Abs

Suzana Cohen 31 de julho de 2008

Nada como a experiência prévia da internet para cercar futuros possíveis problemas no ambiente móvel. Se sms indesejado em celular atualmente já é o "inferno", qualquer problema futuro de spam nesse quesito representaria a queima total do meio... Castelo, um pto interessante seria a questão que a Mariana Miranda, da TIM, colocou na oficina de Mobile da Jump. Do fato das operadoras serem preocupadas com a prática e que, portanto, elas têm trabalhado no sentido de vetar bases opt-in consideradas não-confiáveis. A minha questão fica no critério para essa avaliação. O que seria "não-confiável" para as operadoras?

Fábio Mendes 31 de julho de 2008

Perfeitas as colocações do Marcelo. Nós, como profissionais do mercado, temos que zelar pela manutenção do valor agregado do SMS Mkt, isso significa segmentação, relevância e principalmente autorização do usuário. Cada vez mais se faz necessário uma regra geral, clara e objetiva para esta nova (quase teen já) mídia. Abs

Ygor Hiroshi 30 de julho de 2008

Adorei a matéria! Tudo o que você falou é o que eu acredito para o futuro da mídia sms. []'s

Daniel Vieira 30 de julho de 2008

Excelente matéria, Castelo. É muito comum recebermos ligações de clientes perguntando sobre "disparos" de mensagens. Não temos o costume de "alugar" bases de clientes para outras finalidades. Acredito que esta seja a postura da maioria das impresas do nosso mercado, mas sempre existirão "alternativas" para atender este tipo de requisição, o que faz com que as nossas preocupações continuem. Abs, Daniel Vieira

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