Entrevista - José Roberto Melo da Silva, aeiou
07 de Agosto de 2008por Pedro Bombonatti
Na semana que vem começa a operar a quarta empresa de telefonia celular da região metropolitana de São Paulo, a aeiou.
A operadora, que venderá apenas chips pré-pagos e não terá lojas próprias, tem um posicionamento muito diferente de suas concorrentes (Claro, TIM e Vivo). O objetivo é oferecer um serviço de baixo custo voltado, principalmente, para o público jovem.
A meta da aeiou é ter 500 mil clientes em São Paulo até dezembro. A empresa pretende ainda passar a operar em outros países da América Latina e ter cerca de 5 milhões de clientes na região até 2015. O mês de agosto será um período de teste.
Para entender melhor o modelo de negócios e saber um pouco mais sobre a aeiou, convidei para uma conversa José Roberto Melo da Silva, presidente e CEO da empresa.
Segue a entrevista:

José Roberto, a aeiou possui rede própria (infra-esrutura)?
Sim, é uma rede GSM/Edge de última geração.
Como a aeiou consegue cobrar tarifas muito mais baratas que as outras operadoras?
Com a utilização de sistemas totalmente integrados e desenvolvidos, in house, sob medida para nossa necessidade, assim como, toda estratégia de atendimento por internet que nos permite operar com um número muito menor de colaboradores em comparação com a média do mercado. Outro ponto relevante para mantermos o baixo custo é o não subsídio de aparelhos celulares, que também é bastante significativo no balanço das grandes operadoras.
Quais problemas a aeiou pode encontrar por não vender o aparelho, já que ele é um fator importante no momento da escolha da operadora? (Muitos usuários não se preocupam com a qualidade do serviço oferecido, acabam fechando com a operadora que oferece o aparelho que ele deseja a um preço mais em conta).
O preço “mais em conta” do aparelho é compensado por volumes mínimos ou tarifas mais altas para os clientes. É verdade que os aparelhos são um grande atrativo, principalmente os mais caros, mas o percentual desses aparelhos na base instalada é relativamente pequeno. O grande volume ainda é formado por aparelhos simples.
Por fim, a oferta de aparelhos desbloqueados vem aumentando significativamente e os preços estão caindo. O nicho em que pretendemos focar nossos esforços é formado por jovens bem informados, com noção clara do custo beneficio, conhecedor das ofertas de aparelhos e dos seus direitos quanto ao desbloqueio. Por isso decidimos não subsidiar aparelhos e reverter esse custo em tarifas mais baixas.
A aeiou não considera um problema que todo o processo de compra e venda, assim como o relacionamento com o cliente, seja feito apenas pela internet, já que as classes C e D representam grande parte do mercado de telefonia celular e não possuem internet?
O público alvo inicial da aeiou é o público jovem que está mais aberto a novidades e inovações. Nossas pesquisas mostram que o jovem fala muito menos do que gostaria. Gostaríamos de atingir todos os mercados, mas esse é o nosso target inicial.
Além disso, a grande maioria das classes C e D hoje tem acesso à internet por meio de lanhouses espalhadas por toda a cidade (em supermercados, cybercafés etc). Até nas comunidades populares existem pontos de internet que a população utiliza, como em Heliópolis, por exemplo.
Quando o cliente aeiou estiver fora da área de cobertura da empresa, ele conseguirá utilizar o aparelho? A aeiou tem algum contrato de roaming?
Sim, através de acordo de roaming com outras operadoras.
Qual é a estratégia da aeiou para tráfego de dados? Vocês vão possuir um deck wap ou um menu especial no chip? Existirá conteúdo voltado para os jovens, downloads, etc? Existirão tarifas especiais?
A aeiou aposta em segmentação de mercado e serviços customizados para os jovens (Confira no próximo post). Para ter acesso aos serviços exclusivos, o assinante só precisa escolher seu perfil pelo celular ou pela web. A tarifa dos serviços é debitada do crédito total da conta, na medida do consumo do cliente. O assinante pode escolher o canal que quiser, com total flexibilidade. Os serviços serão colocados à disposição do cliente, gradativamente, a partir do lançamento comercial da operadora.
Ofereceremos canais de informação via SMS que vão de SK8 até Baladas GLTB passando por Geeks. Existem também os Canais Premium, onde o usuário pode receber notícias da revista Trip, por exemplo.
Para finalizar, em relação ao mobile marketing, aeiou já possui algum modelo de negócio? Está estudando alguma maneira para construir uma base qualificada de opt-in? Disponibilizará espaços para anunciantes no deck wap ou no chip?
O mobile marketing não será ofertado agora no lançamento.
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Tags: aeiou, Entrevista
Categorias: Brasil, Entrevistas, Operadoras
Eric Santos (Praesto)
Luiz Santucci (CycleLogic)
07 de Agosto de 2008 as 18:23
Interessante. Lembra a Blyk, operadora de UK focada no público jovem (16-24). Mas o grande lance e desafio da Blyk é ser sustentada por iniciativas de mobile marketing (anunciante paga a conta). Para quem ainda não viu, vale dar uma olhada.: http://www.blyk.com. Em tempo.: Bombonatti, Castelo e equipe, parabéns pela iniciativa MobilePedia, cada vez melhor
07 de Agosto de 2008 as 19:53
[…] Original Mobilepedia […]
08 de Agosto de 2008 as 2:28
Com 500.000 usuários e um ARPU de 20,00 ele tem 10M de receita média. Ele deveria avaliar a oferta de mobile marketing, sim.
08 de Agosto de 2008 as 8:26
Concerteza o mobile marketing pode alavancar o crescimento da Aeiou, mas acredito que estejam se adequando aos padroes das outras operadoras, desenvolvendo aplicativos e se especializando.
Achei ousado ter uma meta de 500 mil usuários até dezembro, mas se o serviço for bom mesmo, acredito que os usuários vão adotar a nova operadora sim.
Daniel Vieira
08 de Agosto de 2008 as 9:27
Muito interessante a estratégia de posicionamento deles.
O conceito todo da operadora é arriscado, mas acredito que seria ainda mais arriscado não inovar radicalmente (como eles fizeram) neste mercado que está se ‘comoditizando’ rápido.
08 de Agosto de 2008 as 12:05
[…] Mobilepedia postou hoje uma entrevista com o CEO da aieou, José Roberto Melo da Silva, que conta um pouco mais sobre a estratégia e o […]
08 de Agosto de 2008 as 15:09
A estratégia é interessante e agressiva, mas arriscada para um mercado onde os usuários compram o “hardware” e não o “software” como o proposto. Mas concordo com o Eric que o mercado esta necessiitando de inovações e pode ser bem vindo e adotado.
08 de Agosto de 2008 as 15:53
Bacana a entrevista!
Se unirem o preço mais em conta com um ótimo serviço, provavelmente conquistrão os 500.00 clientes até o final do ano. Nesse meio tempo provavelmente eles estarão criando estratégias para o mobile marketing.
12 de Agosto de 2008 as 10:38
Pedro, parabéns pela entrevista.
Gostaria de saber qual será a estratégia para distribuição de chips… só pela internet acho que é pouco, uma campanha co-branded poderia ser bem interessante.
Vamos ver…
14 de Outubro de 2008 as 21:06
Com precos baixo e qualidade mais baixa ainda, desta forma vai ser dificil conseguir atingeir metas.
ja estou com meu chip a 30 dias e nao consigo usar, os atendentes nao sabem ed nada e ninguem responde email…assim nao da
25 de Novembro de 2008 as 5:12
O preço pode até ser baixo, mas onde fica a divulgação da empresa??? o chip só pode ser adquirido pelo site deles, tudo bem, mas quem tira a dúvida do cliente??? onde está a divulgação??? nessa hora, as outras operadoras ganham pois o cliente se sente mais seguro ao adquirir algo onde tem alguém ali para dar as informações necessárias.
Se o cliente encontrar problemas, onde ele irá recorrer?, ao email???